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Segundo um estudo, as pessoas trocam carros a gasolina a cada 12 anos e os elétricos a cada 3 anos.

Carro elétrico azul em exposição, com design moderno, ao lado de um carregador, num showroom com fundo de madeira e vidro.

Num cinzento sábado de manhã, num parque de estacionamento suburbano apinhado, dois vizinhos estão lado a lado a olhar para os seus carros. À esquerda, um Toyota de 14 anos, maltratado pelos invernos, pelas crianças e pelos carrinhos do supermercado. À direita, um SUV elétrico reluzente, já o segundo VE que o dono teve em cinco anos. Um mantém-se a andar à base de fita adesiva e lealdade. O outro é retoma-se quase como um smartphone com contrato.

A cena parece banal.

Ainda assim, um novo estudo lançou uma pequena bomba silenciosa: as pessoas estão agora a manter os carros a gasolina durante cerca de 12 anos… enquanto os carros elétricos são trocados a cada 3.
Há aqui qualquer coisa que não bate certo.

Porque é que os carros elétricos estão a sair das entradas das casas tão depressa

A principal conclusão do estudo soa quase ao contrário do esperado. Os condutores agarram-se aos seus carros a gasolina antigos durante mais de uma década, com uma idade média de substituição de cerca de 12 anos. Já os carros elétricos estão a ser substituídos a cada 3 anos, mais ou menos um ciclo de leasing.

A diferença é enorme.

Seria de esperar que o veículo limpo e de alta tecnologia ficasse, e não a berlina a tremer com 180.000 milhas. Mas quando os investigadores analisaram dados de registo e padrões de revenda, a tendência foi clara: os VE chegam depressa, impressionam depressa e vão-se embora depressa. Os carros a gasolina, com todo o barulho e mudanças de óleo, simplesmente ficam por aí, discretamente.

Veja-se o caso da Lena, 39 anos, de Munique. Comprou o seu primeiro elétrico compacto em 2020, orgulhosa por passar a “100% elétrico” quando os amigos ainda hesitavam. Dois anos e meio depois, trocou-o por um modelo mais recente com maior autonomia, melhor software e uma curva de carregamento mais rápida.

A história dela está a tornar-se a norma.

Segundo o estudo, uma grande fatia dos proprietários de VE troca antes do quarto ano, atraída por baterias atualizadas, novos assistentes de condução e ofertas agressivas de retoma. O mercado de usados de elétricos ainda é jovem e inseguro, por isso muitos condutores sentem-se mais tranquilos a saltar para o modelo mais recente do que a comprometer-se por uma década.

Os investigadores apontam para uma mistura de tecnologia, psicologia e puro hábito. Os carros a gasolina chegaram a uma espécie de planalto: melhoram devagar, por isso há menos pressão para fazer upgrade. Os motores são conhecidos, as reparações são previsíveis, as peças existem em todo o lado.

Os VE, por outro lado, estão nos seus “anos de smartphone”. Cada nova geração traz saltos reais na autonomia, na velocidade de carregamento e na tecnologia a bordo. Os proprietários receiam que o modelo com três anos já esteja “desatualizado”, especialmente quando veem novas versões anunciadas a prometer mais 200 quilómetros.

Ninguém quer sentir-se preso à tecnologia de ontem estacionada à porta de casa.

Como evitar ficar preso no ciclo de troca de VE a cada 3 anos

Há um método muito simples para abrandar este carrossel elétrico: escolha o seu VE como escolheria um sofá para longo prazo, não como o telemóvel mais recente. Antes de assinar, faça uma pergunta brutal: “Isto ainda vai satisfazer as minhas necessidades daqui a 8 anos?”

Pense na sua quilometragem diária, nos planos familiares e onde realmente carrega.

Escolha uma autonomia que cubra a sua vida real com uma margem de segurança - não aquela viagem de sonho que faz uma vez por ano. Veja marcas que ofereçam garantias fortes de bateria e que mostrem que continuam a suportar modelos antigos com atualizações de software. Essa única mudança de mentalidade pode acrescentar anos à vida do seu VE consigo.

Muitos novos compradores de VE caem na mesma armadilha: compram com os olhos, não com o calendário. Escolhem o modelo que está na moda no TikTok, obcecam com o 0–100 km/h e depois ficam frustrados quando aparece uma versão mais elegante apenas dois anos mais tarde.

Todos já passámos por isso: aquele momento em que a “coisa antiga” de repente parece cansada depois de demasiados vídeos de comparação.

O estudo sugere essa desilusão silenciosa: nem sempre são necessidades técnicas reais que empurram os proprietários para a troca - é a sensação de estar a ficar para trás. Sejamos honestos: quase ninguém lê a folha completa do custo total de posse antes de assinar o leasing. E, no entanto, essas trocas emocionais somam milhares de euros ao longo de uma década.

“As pessoas não mudam de carro elétrico porque ele está avariado”, explica um dos investigadores por trás do estudo. “Mudam porque o mercado as faz sentir desatualizadas. O carro ainda funciona. A bateria ainda funciona. A psicologia é que não.”

  • Olhe para além dos próximos 3 anos: pergunte a si próprio se a autonomia, a bagageira e as opções de carregamento ainda vão servir quando os seus filhos crescerem, o seu emprego mudar ou se mudar de casa.
  • Verifique a autonomia em condições reais, não apenas a do folheto: veja testes independentes no inverno e em autoestrada, onde os VE consomem muito mais do que o número oficial.
  • Foque-se na garantia da bateria e no suporte: algumas marcas garantem a capacidade por 8 anos e oferecem suporte de software quase tanto tempo. Isso dá ao seu carro uma vida útil mais longa.
  • Ignore a tentação dos gadgets: um ecrã ligeiramente maior ou uma nova assinatura luminosa raramente mudam o seu dia a dia. A autonomia e a fiabilidade mudam.
  • Planeie a sua rotina de carregamento com honestidade: se não consegue carregar em casa ou no trabalho, considere o stress e o custo de tempo dos carregadores públicos antes de se comprometer.

O que esta diferença de 3 anos vs 12 anos diz realmente sobre nós

O ritmo de substituição de 3 anos dos carros elétricos não fala apenas de tecnologia. Expõe, de forma silenciosa, como começámos a tratar os veículos como fast fashion. Os carros costumavam ser uma compra de uma vez por geração, um personagem secundário nas nossas vidas. Agora, o estudo mostra os VE a aproximarem-se da lógica das caixas por subscrição.

Os carros a gasolina ficam porque são familiares e já estão totalmente depreciados. Tornam-se invisíveis, como mobiliário velho. Os VE ainda são objetos de estatuto, opinião e identidade. As pessoas falam deles, julgam-nos, publicam-nos. Essa camada social alimenta uma rotação mais rápida do que a pura necessidade justificaria.

Isto levanta uma pergunta difícil: se queremos mobilidade mais limpa, faz sentido para o planeta ou para a nossa carteira substituir carros elétricos sem parar a cada 3 anos? O estudo não dá lições morais, mas deixa um eco claro. Talvez o próximo passo verdadeiramente “verde” não seja apenas mudar para elétrico. Talvez seja aprender a manter o carro elétrico que já temos por mais algum tempo, sem sentir que estamos a ficar para trás.

Ponto-chave Detalhe Valor para o leitor
Diferença de vida útil entre gasolina e VE O estudo conclui que carros a gasolina são mantidos ~12 anos e VE ~3 anos Ajuda-o a questionar se está a substituir veículos demasiado depressa
Pressão tecnológica sobre proprietários de VE Melhorias rápidas e marketing criam sensação de “desatualizado” Dá perspetiva para resistir a upgrades desnecessários
Mentalidade de compra de VE a longo prazo Escolha autonomia, garantia e carregamento com horizonte de 8 anos Pode poupar milhares numa década e reduzir stress

FAQ:

  • Pergunta 1: É verdade que os carros elétricos só duram 3 anos?
  • Resposta 1: Não. O estudo refere-se à substituição média pelos proprietários, não à vida útil técnica. A maioria dos VE modernos pode funcionar bem para lá dos 10 anos se for bem mantida.
  • Pergunta 2: Porque é que as pessoas mudam de carro elétrico tão depressa?
  • Resposta 2: Por causa de upgrades tecnológicos rápidos, ofertas atrativas de leasing e o receio de ter um modelo “desatualizado”, mesmo quando o carro ainda funciona bem.
  • Pergunta 3: Os carros a gasolina são mesmo mantidos, em média, por 12 anos?
  • Resposta 3: Sim. Dados de registo e inquéritos mostram que muitos proprietários mantêm os seus veículos a gasolina durante cerca de uma década ou mais, especialmente segundos ou terceiros donos.
  • Pergunta 4: Como posso escolher um VE que não me dê vontade de trocar em 3 anos?
  • Resposta 4: Foque-se na autonomia em condições reais, numa garantia de bateria sólida, no suporte de software e em como o carro se encaixa na sua vida daqui a 5–8 anos - não apenas nas próximas férias.
  • Pergunta 5: Trocar de VE com frequência é mau para o ambiente?
  • Resposta 5: Produzir qualquer carro novo tem uma pegada pesada. Manter um VE funcional por mais tempo costuma melhorar o seu balanço ambiental global, comparado com rodar rapidamente por vários modelos.

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