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Bolinhos de todos os santos ficam fofos e humidos com mel e batata doce

Close-up de mãos abrindo um pão doce com mel a escorrer, em fundo de pães dourados e tigela de ingredientes.

O que muda quando entra mel e batata-doce

A batata-doce em puré dá humidade e “corpo”: o amido segura água e o miolo fica mais tenro. O ponto crítico é o puré não estar aguado. Assada costuma ficar mais seca e saborosa; cozida tende a trazer água a mais. Dica: evite triturar no liquidificador (pode deixar o puré elástico/gomoso); esmague com garfo ou passe-vite.

O mel adoça, perfuma e ajuda a manter a humidade (é higroscópico). Também acelera a cor: por vezes o topo doura antes do interior estar pronto. Se estiver a ganhar cor cedo, cubra com alumínio nos minutos finais e termine a cozedura.

Nota prática: não é recomendado dar mel a bebés com menos de 1 ano.

A regra de ouro: puré seco, massa pouco mexida

Dois pontos fazem quase tudo aqui:

1) Puré bem seco
Assar (em vez de cozer) dá menos água e mais sabor. Se o puré estiver húmido, a massa fica pesada e cresce menos. Regra simples: pese 200 g de puré já seco, deixe arrefecer e só depois misture com os ovos. (Uma batata-doce média/grande costuma chegar, mas confirme na balança.)

2) Misturar o mínimo
Mexer em excesso endurece. Use espátula (evite batedeira) e pare assim que não houver farinha solta - muitas vezes 10–15 voltas chegam. Pequenos grumos são normais e não prejudicam.

Receita: bolinhos fofos de Todos-os-Santos com mel e batata-doce

Rende 16–18 bolinhos pequenos (ou ~12 maiores, em forma de queques).

Ingredientes

Secos

  • 250 g farinha de trigo sem fermento
  • 2 c. chá fermento em pó
  • 1/2 c. chá bicarbonato de sódio
  • 1/2 c. chá sal fino
  • 1 c. chá canela
  • 1/2 c. chá noz-moscada (opcional)
  • Raspa de 1 laranja (opcional, muito típica)

Húmidos

  • 200 g puré de batata-doce assada (bem seco)
  • 120 g mel
  • 80 g açúcar mascavado
  • 2 ovos (M)
  • 90 ml óleo vegetal (ou 90 g manteiga derretida)
  • 120 ml leite (ou bebida vegetal)
  • 1 c. chá baunilha (opcional)

Extras (opcionais, mas ficam “de festa”)

  • 60–80 g nozes/amêndoas/avelãs picadas
  • 60 g passas ou arandos
  • Açúcar + canela para o fim

Preparação

  1. Pré-aqueça o forno a 180 ºC (170 ºC ventilado). Grelha a meio. Prepare a forma de queques com forminhas de papel (ajudam a manter a humidade e a desenformar sem partir).
  2. Puré: asse a batata-doce com casca (ajuda a não encharcar), retire a polpa e esmague. Deixe arrefecer. Se estiver húmido, pressione com papel de cozinha ou leve 2–3 min a lume baixo numa frigideira, mexendo só o necessário para evaporar água.
  3. Misture os secos com vara de arames (distribui bem fermento/bicarbonato e evita “bolas”).
  4. Misture os húmidos até ficar uniforme. Se o mel estiver muito espesso/cristalizado, aqueça-o ligeiramente (morno, não quente) para se incorporar melhor.
  5. Junte secos a húmidos e envolva com espátula só até incorporar. Adicione os extras no fim, com poucas voltas.
  6. Deixe repousar 10 min (mais tempo pode reduzir a força de crescimento).
  7. Encha as cavidades até 2/3 (uma colher de gelado ajuda a manter tamanhos iguais).
  8. Coza 16–20 min, até dourar e um palito sair com migalhas húmidas. Evite abrir o forno nos primeiros ~12 min. (Com termómetro, o centro costuma estar pronto perto de 95–98 ºC.)
  9. Aguarde 10 min, desenforme e deixe arrefecer numa grelha. Opcional: pincele com um fio de mel morno e polvilhe com açúcar e canela.

Pequenos ajustes que fazem grande diferença

  • Assar vs. cozer a batata-doce: assar = menos água e mais sabor; cozer = puré mais húmido (muitas vezes “pede” mais farinha e acaba por secar). Se usar cozida, escorra muito bem, seque o puré e reduza um pouco o leite.
  • Mel a mais: aumenta humidade, mas pode pesar a massa e escurece mais depressa (sobretudo com mel mais escuro). Se aumentar mel, ajuste antes tempo/temperatura e use alumínio no topo; não compense com mais fermentos.
  • Leite em excesso: a massa deve cair da colher em fita grossa, não escorrer como panqueca. Puré mais húmido e farinhas mais finas tendem a pedir menos líquido.
  • Forma e material: silicone doura menos e costuma precisar de mais alguns minutos; metal doura mais depressa (vigie nos 3–5 min finais).

Erros comuns (e como corrigir)

  • Miolo pesado
    Causa: puré demasiado húmido ou massa mexida em excesso.
    Ajuste: seque melhor o puré e envolva só até a farinha desaparecer.

  • Seca no dia seguinte
    Causa: cozedura a mais (muito comum) ou pouca gordura/mel.
    Ajuste: retire um pouco mais cedo (palito com migalhas húmidas). Se reduzir o mel, não compense com mais farinha.

  • Cresce pouco
    Causa: fermento velho, bicarbonato a menos, ou forno sem pré-aquecimento a sério.
    Ajuste: pré-aqueça 15–20 min. Para testar o fermento em pó, junte um pouco a água quente: deve borbulhar de forma visível; se não, substitua.

Como guardar (e porque estes até melhoram)

No próprio dia, o topo fica mais estaladiço. No dia seguinte, o mel e a batata-doce “assentam” a humidade e o miolo tende a ficar mais uniforme. Guarde só quando estiverem completamente frios (evita condensação e topos pegajosos).

  • À temperatura ambiente: 2 dias, em caixa bem fechada. Um papel de cozinha no fundo ajuda a equilibrar a humidade.
  • No frigorífico: até 5 dias (aqueça 10–15 s no micro-ondas para recuperar a maciez).
  • Congelar: até 2 meses. Congele bem embrulhados; descongele à temperatura ambiente e aqueça ligeiramente.

Variações que respeitam a base

  • Mais outono: aumente a canela e junte 1 c. sopa de gengibre em pó.
  • Cítrico e leve: raspa de laranja + um pouco de sumo (reduza 1–2 c. sopa de leite para compensar).
  • Com toque tradicional: nozes + passas + raspa de laranja, e um fio de mel ao sair do forno.

FAQ:

  • Posso usar batata-doce cozida? Pode, mas escorra muito bem e seque o puré até ficar espesso. Se estiver aguado, os bolinhos ficam densos; normalmente convém reduzir o leite.
  • O mel pode ser substituído? Em muitos casos, sim (xarope de ácer ou melaço suave), mas o sabor e a humidade mudam. Só com açúcar, é comum ter de ajustar líquidos e perde-se parte da maciez do dia seguinte.
  • Dá para fazer sem lactose? Sim: use bebida vegetal e óleo (em vez de manteiga). O puré ajuda a manter boa textura.
  • Como sei que não cozi demais? Palito com migalhas húmidas (não limpo) e topo firme. O calor residual termina a cozedura fora do forno.
  • Posso fazer em forma grande (tipo bolo)? Pode: conte muitas vezes 30–40 min (depende da forma/altura) e mantenha o teste do palito. Se estiver a escurecer, cubra com alumínio a meio.

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