Protótipo do elétrico russo Atom supera testes a frio extremo e aquece o habitáculo em 25 minutos a −30 °C
O Atom, um novo elétrico desenvolvido na Rússia, concluiu uma bateria de ensaios em temperaturas muito baixas que combinou calibrações de laboratório e condução em estrada durante duas semanas. Entre os resultados divulgados, a equipa indica que, com o sistema definido para +24 °C, o habitáculo passou de −30 °C para a temperatura-alvo em cerca de 25 minutos, um desempenho que dizem ser comparável ao de elétricos estrangeiros.
Ensaios começaram em câmaras climáticas e seguiram para estrada
Antes de sair para testes no terreno, os engenheiros submeteram o veículo a uma série de calibrações em câmaras climáticas, onde verificaram o funcionamento do aquecimento, da gestão térmica da bateria e de outros componentes auxiliares.
Já em condições reais, os testes prolongaram-se por duas semanas, com o Atom a circular em ruas urbanas, em estradas cobertas de neve e em percursos desenhados para simular cargas elevadas sobre a eletrónica.
Programa somou mais de 1500 km e recolheu dados por telemetria
No total, a campanha de validação acumulou mais de 1500 km. O automóvel foi equipado com instrumentação de telemetria para registar, entre outros indicadores:
- perdas térmicas;
- comportamento da bateria;
- nível de carga no módulo de potência;
- eficiência do sistema de climatização.
Carregamento testado em vários postos: 20% a 80% em 45 minutos a −30 °C
A equipa avaliou também o tempo de carregamento em diferentes estações. Segundo os dados apresentados, a −30 °C o intervalo de carregamento entre 20% e 80% foi de cerca de 45 minutos.
Comparação com rivais e vantagem face a modelos a combustão em −42 °C
Para permitir uma comparação direta, foram ensaiados em paralelo modelos elétricos populares de outros fabricantes. De acordo com os responsáveis, o Atom apresentou eficiência energética semelhante ou superior e, em alguns cenários, um alcance (autonomia) mais elevado.
A diferença terá sido ainda mais evidente face a veículos com motor de combustão interna (ICE): a −42 °C, “muitos modelos tradicionais” precisaram de pré-aquecimento e nem sempre conseguiram arrancar, enquanto o Atom terá iniciado funcionamento de imediato, mesmo após uma noite estacionado.
“Soluções integradas” para resistir ao frio, diz o responsável técnico
O designer-chefe do projeto, Nikolai Bobrinsky, atribuiu o desempenho em clima extremo a um conjunto de escolhas de engenharia. Entre os elementos mencionados estão:
- bomba de calor;
- sistema inteligente de gestão térmica com circuito líquido e resistência elétrica (TEN);
- isolamento térmico reforçado da carroçaria;
- maior vedação do habitáculo.
O chamado “pacote de inverno” inclui ainda bancos aquecidos, aquecimento de vidros, espelhos, volante e da zona dos limpa-vidros, visando manter o conforto em diferentes utilizações.
Ajustes finais antes da produção; modelo aposta em uso urbano e frotas
Com o fecho desta fase climática, o projeto deverá avançar para ajustes finais de software antes do arranque de produção. O Atom é apresentado como um elétrico urbano com foco tecnológico, pensado tanto para proprietários particulares como para carsharing, táxis e frotas empresariais - e a capacidade de operar em frio extremo é apontada como um dos principais argumentos do modelo no mercado russo.
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