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Rótulos enganosos: saiba como ler corretamente a etiqueta do óleo de motor

Mecânico a utilizar smartphone com app ligada a carro, produto de manutenção ao lado.

“Cumpre” não é o mesmo que “Aprovado”: como ler o rótulo do óleo do motor e evitar surpresas

Escolher óleo para um automóvel moderno está cada vez mais perto de decifrar letras pequenas na embalagem: expressões como “cumpre normas” e “recomendado” podem dar a impressão de que o produto tem aprovação formal dos fabricantes, quando, na prática, podem significar coisas muito diferentes. O alerta é de Alexander Sosnovsky, diretor de marketing técnico da marca Takayama, citado pelo jornal Rossiyskaya Gazeta (“RG”).

Autodeclaração vs. certificação: o que muda no “API”

A distinção essencial, segundo o especialista, está entre uma declaração do próprio fabricante e uma certificação oficial. Quando um óleo indica “conforme as normas API” ou usa fórmulas como meets requirements, isso significa, em regra, que a marca está a afirmar por conta própria que a formulação cumpre os requisitos de determinada categoria.

Nesses casos, explica Sosnovsky, o produto não passa por verificação externa nem é registado em bases de dados oficiais. Isso não implica automaticamente que o óleo seja mau - mas coloca o consumidor a depender totalmente da credibilidade do fabricante.

O que indica “API Certified” e o selo oficial

Situação diferente é a de um produto com licença formal. Se no rótulo surgir “API Certified” ou o símbolo oficial do American Petroleum Institute (API), trata-se, em princípio, de um óleo que foi sujeito a um ciclo completo de testes, consta de um registo público e tem de voltar a comprovar regularmente as suas características.

Caso o óleo deixe de cumprir os requisitos, a licença pode ser retirada. Para proprietários de automóveis e para gestores de frotas, isto funciona como um mecanismo de controlo de qualidade independente - e não apenas como uma promessa de marketing.

Aprovações dos construtores (OEM): “Approved/Approval” não é “Recommended for”

O mesmo raciocínio aplica-se às chamadas aprovações de fabricantes automóveis (OEM). Um “OEM approval” real, sublinha o especialista, resulta de testes conduzidos pelo próprio construtor, normalmente em motores reais.

No rótulo, isso costuma aparecer com termos como “Approved” ou “Approval”, por exemplo: “MB Approval 229.51”. Já expressões do tipo “Recommended for” ou “Meets MB requirements” significam apenas que o fabricante do óleo declara compatibilidade - sem confirmação oficial por parte da Mercedes-Benz.

Sanções e mercado: porque nem sempre há novas licenças - e o que isso pode significar

De acordo com Sosnovsky, as atuais limitações associadas a sanções tornam mais difícil para fabricantes russos obter novas licenças. Ainda assim, algumas empresas que operam oficialmente no mercado continuam a renovar aprovações já existentes.

O especialista acrescenta que a ausência de licença não significa, obrigatoriamente, menor qualidade: em certos casos, as marcas optam por não certificar para reduzir custos e manter maior flexibilidade na formulação.

Como confirmar se o “dístico” no rótulo é verdadeiro

Sosnovsky recomenda verificar a autenticidade das aprovações diretamente nas fontes oficiais - nos sites dos construtores automóveis ou nos registos públicos do API. É, diz, a forma mais segura de garantir que a informação na embalagem corresponde a uma certificação real e não apenas a uma formulação apelativa.

Porque esta diferença pode sair cara

A distância entre “cumpre” e “aprovado” pode traduzir-se em perda de durabilidade do motor e em despesas adicionais para o proprietário. Num mercado com muitas alternativas, conclui o especialista, a atenção às palavras no rótulo deve ser tão importante como escolher a viscosidade correta.

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