Saltar para o conteúdo

A euforia terminou: especialistas explicam a queda na procura por carros da China.

Carro elétrico vermelho exibido em showroom, com design futurista e pessoa usando controlo remoto próximo.

Procura por carros chineses na Rússia abranda, mas mercado ainda não colapsou, diz especialista

A procura por automóveis chineses na Rússia tem vindo a recuar de forma visível nas últimas semanas, mas ainda é cedo para falar num “tombo” do mercado. A avaliação é do perito automóvel Egor Vassíliev, que, em declarações à agência “Prime”, atribui a travagem das vendas a uma combinação de factores estruturais e a uma normalização após um período de crescimento acelerado.

Vendas de 2025 mostram um mercado sob pressão

Segundo os dados citados, em 2025 foram vendidos na Rússia pouco mais de 1,3 milhões de automóveis novos, um volume que, por si só, reflecte um contexto difícil para o sector. Neste cenário, quem sente primeiro o aperto são os concessionários - sobretudo os que dependem de marcas chinesas.

Vassíliev aponta que, nos últimos anos, a presença de fabricantes e redes de venda oriundos da China aumentou a um ritmo demasiado rápido. O resultado, afirma, é um mercado agora confrontado com excesso de marcas e de pontos de venda, pressionando margens e elevando a concorrência interna entre propostas muito semelhantes.

Muitas marcas não consolidaram base de clientes

O especialista sublinha que nem todos os fabricantes chineses conseguiram criar uma posição sólida junto dos consumidores russos. Com modelos parecidos, preços próximos e um posicionamento quase indistinto, os compradores passaram a comparar mais e a avançar com maior prudência.

Ao mesmo tempo, alguns concessionários enfrentam dificuldades acrescidas para escoar stocks acumulados, um problema típico de fases em que o mercado deixa de crescer ao ritmo anterior e entra num período de selecção natural entre operadores.

Qualidade e adaptação de viaturas importadas geram dúvidas

Outro elemento que contribui para a desaceleração, segundo Vassíliev, são as questões de qualidade em determinados modelos. O alerta é particularmente dirigido a automóveis introduzidos através de importações paralelas, que nem sempre terão passado por uma adaptação completa às condições de utilização locais - o que pode traduzir-se em problemas inesperados já depois da compra.

“A procura não desapareceu; está a tornar-se mais exigente”

Apesar do abrandamento, Vassíliev considera que a situação actual não representa uma quebra estrutural e prolongada do interesse pelos carros chineses. Na sua leitura, o mercado está a atravessar uma fase de saturação e redistribuição, que poderá culminar numa recuperação da procura - mas com maior concentração nas marcas “mais fortes” e já testadas no terreno.

A mensagem central, sustenta, é que a procura por automóveis chineses na Rússia não se extinguiu: amadureceu. Após a subida rápida, chegou o momento do “filtro”, em que nem todos os fabricantes sobreviverão. Os consumidores, acrescenta, passaram a valorizar mais a qualidade, o serviço pós-venda e a perspectiva de propriedade, enquanto o excesso de concessionários acelera a reconfiguração do sector.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário