Quota das marcas chinesas recua no mercado automóvel russo para níveis de 2023
O mercado automóvel na Rússia arrancou 2026 com uma mudança visível na composição das vendas: a presença das marcas chinesas caiu em janeiro para 39,8%, um valor praticamente idêntico ao registado no mesmo mês de 2023, de acordo com um estudo da Gazprombank Autoleasing, citado pela TASS.
Descidas acentuadas face a 2025 e ao mês anterior
Os analistas indicam que a quebra se verificou tanto na comparação mensal como na anual. Em relação a dezembro, a quota das marcas chinesas encolheu 2 pontos percentuais; face a janeiro de 2025, o recuo foi de 16 pontos. Um ano antes, a fatia tinha sido 56,1%, e em janeiro de 2024 chegara aos 60,4%.
Esta evolução sinaliza um afastamento gradual dos máximos observados durante a fase de substituição acelerada de marcas europeias e japonesas que saíram do mercado russo, período em que os construtores chineses ganharam terreno de forma rápida.
Stocks elevados travam a evolução da quota
Uma das razões apontadas para a descida é o volume de viaturas paradas em inventário. Só as marcas que integram o top 10 de popularidade acumulavam, até fevereiro, mais de 100 mil automóveis em stock, segundo a Gazprombank Autoleasing.
Ao ritmo atual de vendas, estes inventários poderão ser suficientes para dois a três meses, o que tende a limitar novas entregas e, por consequência, a pressionar a quota de mercado no curto prazo.
Fevereiro deverá manter-se entre 35% e 40%, com novos projetos a caminho
A instituição estima que, em fevereiro, a quota das marcas chinesas deverá permanecer num intervalo de 35% a 40%. Ainda assim, a evolução pode ser influenciada pela entrada de novos operadores e por projetos de rebranding que se preparam para avançar no mercado, incluindo Jeland, Onives, Esteo e Votour.
Cresce o peso da produção na Rússia, incluindo modelos “localizados”
Outro fator que ajuda a explicar a aparente redução das marcas chinesas é a subida da proporção de automóveis montados na Rússia, incluindo modelos de origem chinesa com produção local. Estes veículos, por critérios estatísticos, deixam de ser contabilizados como vendas de marcas da China, o que contribui para um menor peso “visível” dos construtores chineses na fotografia global do mercado.
Menos “dependência” chinesa não significa quebra de procura
A normalização para valores próximos de 40% não é interpretada como um colapso da procura, mas antes como um reflexo de stocks saturados e de uma redistribuição das vendas em direção à montagem local e a marcas-proxy emergentes. Nos próximos meses, o elemento decisivo deverá ser menos a origem do emblema e mais a relação preço-disponibilidade dos automóveis no mercado russo.
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