Saltar para o conteúdo

Compacto por fora, luxo de classe executiva por dentro: os designers surpreenderam todos.

Pessoa usando tablet para projetar carro elétrico; mulher sentada no veículo ao fundo.

Elétricos e novas plataformas estão a transformar os compactos: mais espaço no interior sem crescer por fora

Os automóveis compactos de hoje estão a aproximar-se, por dentro, do conforto e da habitabilidade de segmentos superiores - e a principal explicação está na forma como são desenhados: distância entre eixos maior, balanços curtos e rodas colocadas mais perto das extremidades da carroçaria.

Distância entre eixos: o fator que mais pesa na habitabilidade

Mais do que o comprimento total do carro, é a distância entre os eixos que determina o espaço útil no habitáculo. Ao alongar essa medida, os fabricantes conseguem mais espaço para as pernas, sobretudo na segunda fila, e uma disposição mais eficiente de bancos e consola.

Durante décadas, esta evolução foi limitada pela engenharia tradicional: em muitos modelos com motor transversal e transmissão à frente, o conjunto mecânico obrigava a um balanço dianteiro mais longo, “roubando” centímetros preciosos à cabine.

Plataformas elétricas libertam o desenho e permitem “esticar” a base

A mudança acelerou com a adoção de plataformas elétricas dedicadas. Nos elétricos, os motores são mais compactos e as baterias são integradas no piso, o que facilita aumentar a distância entre eixos sem que o automóvel tenha de ficar significativamente maior no exterior.

É por isso que modelos como o Volkswagen ID.3 e o Renault Scenic E-Tech podem manter uma presença relativamente compacta na estrada, mas oferecer um interior mais espaçoso. A mesma filosofia é visível em propostas como o Volvo EX30, o Kia EV6 e o Hyundai Kona, que apostam em proporções mais “quadradas” e numa melhor gestão do espaço.

Uma ideia antiga que voltou a ganhar força - agora também em SUV e citadinos

Embora pareça uma novidade, esta arquitetura não é totalmente inédita. Já nos primeiros monovolumes, e até em modelos como o Ford Ka dos anos 1990, a estratégia de colocar as rodas “nos cantos” da carroçaria permitia maximizar o interior.

A diferença é que, atualmente, este tipo de proporções deixou de ser exceção e tornou-se cada vez mais comum em SUV, crossovers e até em automóveis urbanos.

Tecnologia “by-wire” e menos componentes mecânicos aumentam a liberdade

Outro fator que favorece esta evolução é o avanço de sistemas by-wire (controlos eletrónicos em vez de ligações mecânicas tradicionais) e a ausência de componentes como veios de transmissão em muitos elétricos. Com menos limitações de packaging, os engenheiros ganham margem para reposicionar elementos, otimizar o piso e redesenhar o interior com foco nos passageiros.

O resultado prático é simples: há elétricos que, apesar de parecerem pequenos por fora - algo valorizado em cidade, incluindo em realidades como a de Lisboa ou Porto -, sentem-se claramente maiores por dentro.

Tendência para os próximos anos: mais espaço com as mesmas dimensões

Tudo indica que estas proporções vão consolidar-se como padrão na próxima geração de modelos: mais habitabilidade sem aumento de dimensões exteriores, com uma nova organização do habitáculo que privilegia conforto e espaço, em vez de estar condicionada pelas exigências da mecânica tradicional.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário