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Foi descoberta uma forma de contornar o sistema: deviam pagar extra a quem comprasse estes carros em segunda mão.

Concessionário de automóveis com cinco SUV de várias marcas expostos em círculo numa sala iluminada.

Analistas identificam compactos SUV de 8 a 10 anos que custam a vender no mercado de usados

Um estudo ao mercado de crossovers/SUV compactos com 8 a 10 anos revelou vários modelos que, apesar de pertencerem a marcas fortes e terem preços médios equivalentes a cerca de 13 mil a 24 mil euros, demoram mais tempo a encontrar comprador. A explicação repete-se: mecânicas exigentes, custos de manutenção e reparação elevados e, nalguns casos, pouca versatilidade no dia a dia.

Audi Q3 (1.ª geração): estatuto premium, manutenção exigente e altura ao solo limitada

No topo dos modelos com menor saída surge o Audi Q3 de primeira geração. Mesmo sendo um SUV de gama premium, a procura é travada por factores técnicos: os motores turbo 1.4 e 2.0 são vistos como sensíveis à manutenção e as caixas robotizadas continuam a gerar desconfiança entre compradores de usados.

A isto soma-se um dado prático: a altura ao solo real ronda os 160 mm, valor que reduz a polivalência fora do asfalto. Nos custos, o Q3 mantém-se entre os mais caros do segmento, com reparações que tendem a pesar no orçamento.

BMW X1 (2.ª geração): motores B com maior exigência e imagem de “caro de manter”

O BMW X1 de segunda geração também enfrenta vendas mais lentas. Os motores turbo da família B têm reputação de maior carga térmica e de serem sensíveis à qualidade do combustível, algo que preocupa quem procura um usado para utilização diária.

Mesmo quando equipado com as reconhecidas caixas automáticas Aisin, o modelo não escapa ao rótulo de viatura dispendiosa na manutenção, com custos acima de muitos concorrentes directos.

Nissan Juke: design marcante, mas pouca utilidade familiar e variador pouco procurado

O único representante japonês nesta selecção é o Nissan Juke. Compacto e com estética distintiva, perde pontos no capítulo da funcionalidade: a bagageira, com cerca de 180 litros, fica aquém do que muitos esperam de um SUV pensado para família.

Além disso, a maioria das unidades está equipada com o variador (CVT) da Jatco, solução que muitos compradores evitam no mercado de segunda mão. As versões 4x4 e com caixa manual existem, mas são pouco frequentes, o que contribui para uma procura consistentemente baixa, mesmo quando o preço é considerado aceitável.

Peugeot 3008: reputação do motor EP6 continua a condicionar a procura

O Peugeot 3008 mantém uma liquidez fraca sobretudo por causa da imagem associada aos motores EP6. A variante 1.6 turbo é há muito encarada como potencialmente problemática, o que alimenta o cepticismo de quem compra usado.

A presença de automáticas Aisin, vistas como fiáveis, não chega para anular o risco percebido, e por isso a procura por versões a gasolina tende a ser inferior. As motorizações diesel despertam mais interesse, embora representem uma fatia limitada do mercado.

Volkswagen Tiguan: preço acima dos rivais e dúvidas após quilometragens elevadas

O caso do Volkswagen Tiguan surpreende por surgir como “outsider” num modelo geralmente popular: no mercado de usados, o seu preço frequentemente ultrapassa o de um Audi Q3 ou BMW X1 com idade semelhante. Ainda assim, quando a quilometragem passa dos 130 mil km, muitos compradores receiam problemas conhecidos em certos motores e nas caixas robotizadas do universo Volkswagen.

O valor pedido, considerado elevado, acaba por tornar as vendas mais demoradas, apesar de o Tiguan oferecer bom equipamento e um habitáculo confortável. Há, no entanto, uma nuance: exemplares realmente bem estimados tendem a não ficar muito tempo anunciados.

O que dita a liquidez nos SUV compactos usados

A leitura do mercado é clara: na categoria dos SUV compactos, a facilidade de revenda depende menos do emblema e mais do conjunto de factores práticos, como:

  • motor e transmissão (incluindo soluções mais complexas);
  • custos de manutenção e reparação;
  • utilidade real (espaço, bagageira, versatilidade);
  • expectativa de custo de posse face ao preço pedido.

Os modelos que ficam para trás são, regra geral, aqueles em que o custo de utilização se revela mais alto do que o comprador espera e em que a complexidade técnica não traz vantagens claras no quotidiano.

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