Stellantis vira a página do PureTech e aposta nos motores italianos FireFly para a era Euro 7
A Stellantis decidiu afastar-se de vez do legado do PureTech, uma gama de motores que se tornou sinónimo de avarias recorrentes e de desgaste reputacional em vários mercados europeus. Sob a liderança do novo presidente executivo, Antonio Filosa, o grupo prepara uma mudança estratégica: colocar os propulsores italianos FireFly no centro da sua oferta de motores de combustão interna, reforçando o peso da unidade de Termoli dentro do conglomerado.
Marca “PureTech” desaparece; “Turbo” fica, mas a rutura é estratégica
A designação PureTech já foi retirada da comunicação e do marketing das marcas do grupo. Em seu lugar, os construtores franceses do universo Stellantis passaram a usar a designação “Turbo”, embora, do ponto de vista técnico, se trate dos mesmos motores EB2.
Ainda assim, a decisão interna é clara: a Stellantis não quer continuar a associar o seu futuro a uma família mecânica que, ao longo de uma década, deu origem a reclamações, processos e pedidos de garantia em vários países da Europa. A mudança não está a ser bem recebida na fábrica de Douvrin, mas, segundo a nova orientação, o caminho está traçado: o FireFly deverá assumir o papel de motor-base do grupo na fase de transição para o Euro 7.
De “quase abandonado” a peça central: o regresso do FireFly
A reviravolta tem um contexto interno: no passado recente, estes motores italianos tinham sido praticamente colocados de lado, com Carlos Tavares a planear substituí-los totalmente pelo PureTech no mercado europeu. O cenário alterou-se com os indicadores de fiabilidade do FireFly, que acabaram por mudar as prioridades do grupo.
Por agora, o FireFly está presente apenas em três modelos: - Alfa Romeo Tonale - Fiat Pandina - Novo 500 Hybrid
É precisamente a partir destas aplicações que a Stellantis pretende construir a base para manter motores a combustão (ICE) competitivos no contexto regulamentar mais exigente de sempre na União Europeia.
Atualização técnica para o Euro 7 inclui micro-híbridos de 48 V e nova caixa eletrificada
O grupo já iniciou a modernização técnica da família FireFly para cumprir as futuras regras Euro 7. O plano vai além da simples micro-hibridização a 48 volts: inclui prolongar o ciclo de vida do FireFly bem para lá de 2030 e desenvolver, em paralelo, uma caixa de dupla embraiagem eletrificada.
Num mercado em que o Euro 7 promete apertar limites e condições de medição das emissões, a estratégia procura preservar a viabilidade comercial de motores térmicos através de eletrificação progressiva e de maior eficiência do conjunto motopropulsor.
Gama e potência: do 1.0 de 70 cv ao 1.5 Turbo de 130–160 cv
A família FireFly é disponibilizada em duas configurações principais: - 1.0 com 70 cv - 1.5 Turbo com 130 a 160 cv
O 1.5 Turbo, utilizado no Alfa Romeo Tonale, é apontado internamente como a referência a expandir para mais modelos do grupo. Esta base também abre caminho a soluções híbridas mais completas, incluindo arquiteturas HEV (híbrido completo) e PHEV (híbrido plug-in), com a ambição de alcançar níveis de eficiência comparáveis aos sistemas japoneses mais reconhecidos no segmento.
Um motor italiano como resposta ao período mais exigente da regulação ambiental na Europa
Com esta decisão, a Stellantis transforma um motor que tinha perdido protagonismo num pilar do seu plano industrial para os próximos anos. A aposta no FireFly surge como peça-chave para atravessar a fase de maior pressão regulatória ambiental na história recente da Europa, enquanto o grupo gere a transição entre combustão, híbridos e eletrificação.
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