Renault vai integrar componentes chineses nos novos motores elétricos E7A, com produção prevista em Cleon a partir de 2027
A Renault confirmou que a próxima geração de motores elétricos E7A vai incorporar componentes fornecidos pela empresa chinesa Shanghai e-drive, num movimento que a marca considera essencial para reduzir custos e manter a competitividade na Europa. A montagem destes motores está planeada para a fábrica francesa de Cléon, com o arranque da linha de produção no início de 2027.
Produção em França com meta de 120 mil unidades anuais
Apesar do recurso a peças vindas da China, a Renault sublinha que a produção ficará em território francês. De acordo com o sindicato CGT, a capacidade instalada em Cléon poderá atingir até 120 mil motores por ano quando a linha estiver plenamente operacional.
Objetivo: baixar custos para viabilizar elétricos compactos na Europa
A fabricante explica que a parceria com a Shanghai e-drive visa diminuir os custos industriais e preservar a rentabilidade num mercado europeu onde a pressão sobre os preços - especialmente no segmento elétrico - tem vindo a aumentar. Os motores E7A destinam-se a automóveis elétricos compactos previstos para chegarem ao mercado a partir de 2028, enquadrados no ciclo de planeamento de novos modelos associado às gamas de 2026.
Relação já existente: a Shanghai e-drive fornece motores para o Twingo E-Tech Electric
A colaboração entre as duas empresas não é totalmente nova. A Shanghai e-drive já fornece motores elétricos para o Renault Twingo E-Tech Electric. Segundo a própria Renault, a contribuição do parceiro chinês foi determinante para encurtar o desenvolvimento do modelo para menos de dois anos, um prazo particularmente curto no contexto da indústria automóvel.
Antes desta solução, a Renault tinha interrompido um projeto conjunto com a Valeo para um novo motor elétrico e passou a procurar uma alternativa para o fornecimento do estator, componente-chave do conjunto motriz.
E7A: 800 volts, até 200 kW e sem materiais de terras raras
A Renault revelou ainda algumas especificações do E7A:
- Compatibilidade com arquitetura elétrica de 800 V
- Potência máxima de até 200 kW
- Conceção sem recurso a materiais de terras raras
Para a eletrónica de potência, os módulos do inversor em carbeto de silício (SiC) serão fornecidos pela STMicroelectronics.
Pressão nos preços acelera soluções híbridas de localização
A marca insiste que o centro de gravidade industrial do projeto permanece em França, mas reconhece que a opção por componentes chineses reflete uma realidade do setor: maior concorrência no preço e a necessidade de uma abordagem mais flexível à localização das cadeias de fornecimento, sobretudo num mercado europeu cada vez mais disputado no segmento dos elétricos.
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