Aerodinâmica dita o novo desenho dos SUV: menos ângulos, mais eficiência
A aerodinâmica está a ganhar um peso decisivo na evolução dos SUV, levando os fabricantes a abandonar linhas mais quadradas e superfícies verticais em favor de silhuetas mais fluidas. A mudança é impulsionada pelo crescimento dos elétricos, híbridos e híbridos plug-in, segmentos em que a resistência ao ar tem impacto direto na autonomia e no consumo de energia.
Porque é que reduzir a resistência ao ar conta cada vez mais
À medida que a velocidade aumenta, a resistência aerodinâmica cresce de forma quadrática. Por isso, mesmo pequenos avanços no coeficiente de arrasto (Cx) podem traduzir-se em ganhos relevantes no mundo real. Uma melhoria de apenas 0,02 no Cx pode significar, em autoestrada, uma redução de 3% a 5% no consumo de energia ou de combustível.
Este efeito está a empurrar muitos SUV modernos para metas que, há poucos anos, pareciam fora de alcance para o segmento: valores abaixo de 0,30.
Modelos que já aproximam os SUV de carros mais eficientes
Alguns exemplos ilustram bem esta aproximação a números típicos de berlinas mais aerodinâmicas:
- BMW iX: Cx de cerca de 0,25
- Mercedes GLC Coupé: 0,27
- Hyundai Ioniq 5: 0,29
No universo dos elétricos, destacam-se ainda os valores muito baixos alcançados por Mercedes EQS e Tesla Model S, que se aproximam do patamar das berlínas, historicamente o território dos automóveis mais eficientes. Esta tendência está a esbater a fronteira entre crossovers e segmentos tradicionalmente associados a menor consumo.
As soluções técnicas por trás das novas formas
Para baixar o Cx, as marcas estão a recorrer a um conjunto de medidas que combinam design e engenharia, incluindo:
- frentes mais inclinadas;
- arestas e transições suavizadas;
- pilares mais estreitos;
- linhas de tejadilho mais inclinadas;
- spoilers ativos;
- condutas e entradas de ar redesenhadas e otimizadas.
O objetivo é manter as vantagens típicas dos SUV - espaço e versatilidade - enquanto se melhora o conforto e a eficiência, com benefícios adicionais como menor ruído aerodinâmico a velocidade de cruzeiro.
Tendência deve intensificar-se
Especialistas apontam que este movimento deverá ganhar ainda mais força: o mercado continua a pedir SUV, mas cada vez menos aceita compromissos em eficiência, sobretudo numa fase em que a eletrificação se torna central nas gamas das marcas.
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