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A Tesla explicou porque as câmaras são mais importantes do que os radares lidar.

A Tesla explicou porque as câmaras são mais importantes do que os radares lidar.

Tesla reafirma aposta em câmaras e IA: “o problema do Autopilot não está nos sensores”

A Tesla voltou a sublinhar que o avanço da condução autónoma depende sobretudo da inteligência artificial - e não de um número crescente de sensores - numa mensagem oficial divulgada pela conta TeslaAI, citando o vice‑presidente de software da empresa, Ashok Elluswamy.

Elluswamy: mais sensores não resolvem o essencial

Segundo Elluswamy, existe uma perceção comum, mas errada, de que tornar um carro autónomo exige simplesmente acrescentar mais hardware e mais sensores. Na visão da Tesla, o desafio central não é “ver” melhor, mas interpretar o que se vê e antecipar o comportamento de outros utilizadores da estrada.

A empresa defende que as câmaras já fornecem, atualmente, informação suficiente sobre o ambiente. O obstáculo decisivo, afirma, está em extrair significado desses dados - uma tarefa que recai diretamente sobre os modelos de inteligência artificial.

Uma herança do início da condução autónoma (2008)

Elluswamy enquadrou a preferência histórica por lidar, radar e outros sensores como um reflexo dos primeiros anos do desenvolvimento de sistemas autónomos, por volta de 2008. Nessa fase, argumenta, a capacidade de computação e a maturidade dos algoritmos eram limitadas, o que dificultava a análise eficaz de imagem.

Perante essas limitações, o setor recorreu a mais sensores como forma de compensação técnica, criando arquiteturas mais complexas do ponto de vista de hardware.

Estratégia atual: simplificar “o ferro” e escalar o software

A Tesla sustenta que a evolução recente da IA já permite abandonar parte dessa complexidade adicional. A abordagem encaixa na estratégia que a marca tem vindo a seguir: desenvolver sistemas de assistência à condução assentes principalmente em câmaras e redes neuronais, com foco na escalabilidade e no treino com dados de condução reais.

De acordo com a empresa, este modelo facilita também uma adaptação mais rápida do software a diferentes mercados, um ponto relevante para fabricantes que operam em múltiplas geografias com regras, sinalização e padrões de tráfego distintos - incluindo os contextos europeus.

China: plano de reforço do investimento em 2026 e centro local de treino

A posição é reforçada por declarações anteriores de representantes da Tesla na China, que confirmaram que a empresa tenciona aumentar significativamente, em 2026, o investimento em soluções de IA e software.

Para suportar esse esforço, foi criado no país um centro próprio de treino de redes neuronais, orientado para preparar modelos ajustados a cenários de circulação e infraestruturas chinesas.

O que está em jogo para 2026

Na leitura da Tesla, o futuro da condução inteligente será determinado menos pela quantidade de componentes e mais pela “capacidade de raciocínio” do automóvel via software. Se a IA conseguir interpretar situações rodoviárias com a flexibilidade de um humano, a aposta em câmaras poderá revelar-se não apenas mais económica, mas também mais promissora para veículos produzidos em massa em 2026.

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