Turbos em motores modernos: por que 90 segundos ao ralenti podem evitar avarias caras
A maioria dos motores a gasolina e a gasóleo vendidos atualmente recorre ao turbocompressor para ganhar potência e reduzir consumos, mas esta peça trabalha no limite. Para prolongar a vida útil do sistema, mecânicos recomendam um gesto simples após uma condução mais exigente: deixar o motor ao ralenti durante cerca de 90 segundos antes de desligar.
Uma peça que roda a centenas de milhares de rotações e depende do óleo
No interior do turbo, o rotor pode atingir aproximadamente 200 a 250 mil rotações por minuto e aquecer a várias centenas de graus. Para suportar estas condições, o conjunto depende do óleo do motor, que cumpre duas funções essenciais: lubrificar e, em simultâneo, ajudar a arrefecer o eixo e os rolamentos.
O problema surge quando o motor é desligado imediatamente após uma viagem em autoestrada, uma subida prolongada ou uma condução mais dinâmica. Assim que a ignição é cortada, a circulação de óleo pára, mas o turbo continua muito quente. Nestas circunstâncias, o óleo retido nos canais pode sobreaquecer e “cozer”, formando depósitos (coke) que acabam por obstruir passagens, acelerar o desgaste dos rolamentos e, no pior cenário, levar a reparações dispendiosas.
A “regra dos 90 segundos” para arrefecer e proteger o turbo
Para reduzir o risco, a recomendação após uma utilização mais intensa é manter o motor ao ralenti cerca de 90 segundos, permitindo que o rotor baixe gradualmente de rotação e que o óleo em circulação vá retirando calor do conjunto.
“Durante esse tempo, o rotor do turbo reduz a rotação e o óleo circulante vai arrefecendo o conjunto. Mesmo 30 a 60 segundos já diminuem significativamente o risco de danos, sobretudo se a viagem tiver sido moderada”, afirmou ao 32CARS.RU o mecânico Alexey Stepantsov.
Boas práticas adicionais: aquecer com calma e manter a manutenção em dia
Além do arrefecimento antes de desligar, os especialistas alertam para outro erro comum: exigir muito do motor logo após o arranque a frio. Até o óleo atingir a temperatura de funcionamento, a lubrificação é menos eficaz, o que deixa o turbo a trabalhar com proteção reduzida.
A manutenção regular também é determinante para a longevidade do turbocompressor: - Troca periódica do óleo e do filtro, para evitar que impurezas acelerem o desgaste. - Verificação do filtro de ar, já que um elemento sujo pode prejudicar o funcionamento do sistema. - Controlo da estanquidade dos tubos e condutas, prevenindo fugas e perdas de eficiência.
Vida útil esperada e o impacto de desligar “a quente”
Com utilização correta, um turbocompressor moderno pode chegar aos 250 a 300 mil quilómetros. No entanto, o hábito de desligar o motor imediatamente após uma condução exigente pode reduzir essa longevidade quase para metade.
A conclusão é direta: esperar cerca de 90 segundos depois de parar é um pequeno custo de tempo para proteger um componente caro e manter o motor a funcionar de forma estável por mais quilómetros.
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