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Até aos "americanos" serão salvos: as peças chegam, mesmo que mais devagar do que os próprios donos dos carros.

Oficina com mecânico, conjunto de travões, caixa e telemóvel em mesa; carro ao fundo.

Mercado russo de peças automóveis em 2025 estabiliza, mas logística e preços continuam a pressionar

Em 2025, o mercado russo de peças automóveis conseguiu ajustar-se às novas condições e apresenta hoje um cenário mais favorável do que há três ou quatro anos, segundo especialistas do setor. Ainda assim, persistem dificuldades significativas - com a logística, o enquadramento macroeconómico e o aumento dos preços a continuarem entre os principais entraves.

Marcas com grande volume têm vantagem; modelos de nicho esperam até 2–3 meses

De acordo com Alexey Podshchekoldin, presidente da ROAD (Associação Russa de Concessionários Automóveis), a disponibilidade de peças varia muito consoante a marca e o volume de vendas no país. Numa recente conferência de imprensa da associação, o responsável descreveu a situação como “diferenciada”.

Segundo Podshchekoldin, os fabricantes que integram o “top-10” russo - no máximo “top-20” - e que comercializam volumes consideráveis de viaturas tendem a ter também um negócio de pós-venda e peças mais robusto. Já no caso de marcas que vendem até 1.000 automóveis por ano, manter stock local de componentes torna-se economicamente pouco viável, o que empurra as encomendas para um modelo feito “sob pedido”.

Nestas situações, os prazos de entrega alongam-se de forma expressiva: podem atingir 2 a 3 meses, uma vez que as peças deixam de vir de armazéns na Rússia e passam a ser expedidas diretamente da China.

“Peças não oficiais” levantam dúvidas e obrigam a recorrer a recomendações de oficinas

O presidente da ROAD sublinhou ainda que os maiores riscos e incertezas se concentram no segmento das chamadas peças “não concessionário” - componentes fora dos canais oficiais. A avaliação da qualidade pode ser difícil até para profissionais experientes, o que aumenta a probabilidade de escolhas erradas.

Para reduzir esse risco, o responsável aponta como referência as recomendações de quem trabalha diariamente com reparações: oficinas de marca (concessionários) e centros de manutenção independentes. Desde 2022, estas entidades lidaram com grandes volumes de componentes e, segundo o setor, já se consolidou um conjunto de marcas e fornecedores com melhor reputação no mercado russo.

Peças mais difíceis: marcas que saíram há 4 anos e eletrónica em falta

Podshchekoldin indicou que a maior escassez se verifica nas marcas que abandonaram o mercado russo há quatro anos. Entre os itens mais problemáticos estão:

  • componentes eletrónicos;
  • peças de carroçaria;
  • vidros;
  • outros consumíveis e elementos específicos.

Mesmo quando disponíveis por encomenda, o tempo típico para chegada à Rússia situa-se, segundo o responsável, entre um mês e mês e meio.

Importações alternativas: EAU, Geórgia e Cazaquistão; modelos americanos com espera de cerca de 2 meses

Apesar das limitações, o presidente da ROAD afirma que os importadores e distribuidores encontraram rotas alternativas para abastecer o mercado. Quando a cadeia a partir da China não resolve, as peças são adquiridas noutros mercados, como os Emirados Árabes Unidos, a Geórgia e o Cazaquistão.

O dirigente acrescenta que já há fornecimento regular até para modelos norte-americanos, embora com tempos de espera na ordem dos dois meses.

Especialista fala em “maturidade” do mercado e mudança de preferência para qualidade

Vladimir Litvinov, especialista do centro automóvel “Balkansky”, considera que o setor atravessa uma nova fase de consolidação. Em declarações à imprensa, recordou que um processo semelhante ocorreu quando se expandiu a rede de concessionários oficiais de marcas globais, que “habituaram” o consumidor a procurar componentes originais e, por consequência, de maior qualidade.

Segundo Litvinov, depois de muitos automobilistas terem experimentado peças chinesas de baixa qualidade, cresce a tendência para optar por alternativas mais fiáveis - mesmo que mais caras.

Travões no centro da atenção: “aqui não se pode poupar”

O especialista destaca que esta mudança é particularmente evidente nos componentes do sistema de travagem, onde a poupança pode comprometer a segurança.

Litvinov descreve ainda a forma como a decisão é frequentemente orientada no ponto de reparação: tanto oficinas de concessionário como independentes tendem a apresentar opções com diferentes preços, explicando ao cliente o risco de durabilidade das alternativas mais baratas e recomendando as soluções de gama superior. Na prática, refere, muitos condutores têm seguido o conselho técnico.

Tendência deve continuar em 2025, com preços a subir

Para este ano, Litvinov antecipa a continuidade da procura por qualidade e por validação técnica na escolha das peças. Quanto aos preços, a perspetiva é menos favorável: a expectativa é de nova subida, em linha com a evolução geral do mercado.

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