Nevões de fevereiro testam automóveis: especialistas alertam para danos na transmissão causados por “balanços” na neve
Os nevões de fevereiro não dificultaram apenas a circulação nas estradas - também colocaram as transmissões dos automóveis sob forte pressão. Técnicos de assistência apontam que ficar preso em montes de neve pode provocar danos sérios na caixa de velocidades e que, muitas vezes, o problema agrava-se com as manobras escolhidas pelos próprios condutores, como tentar “balançar” o carro à força para o libertar.
Mudanças bruscas entre “D” e “R” e patinagem prolongada estão entre os principais riscos
O diretor de serviço da “Avilon Mercedes-Benz”, Alexey Balashov, sublinha que dois comportamentos são particularmente prejudiciais: alternar de forma rápida e repetida entre os modos de marcha (como passar de “D” para “R” e voltar) e manter as rodas a patinar durante muito tempo.
Segundo o responsável, a troca abrupta entre avanço e marcha-atrás gera cargas de choque que a transmissão não foi concebida para suportar. Já a patinagem contínua tende a ser ainda mais destrutiva: o óleo aquece, os elementos de fricção sobreaquecem e os componentes mecânicos perdem vida útil de forma acelerada.
Diferentes caixas, diferentes avarias: manual, automática e CVT
Os profissionais descrevem padrões de falha distintos consoante o tipo de transmissão:
- Caixas manuais: o problema mais frequente é a embraiagem sobreaquecida ou queimada, resultado de tentativas repetidas de arranque com pouca aderência.
- Automáticas convencionais: ficam expostas ao sobreaquecimento do fluido e a impactos mecânicos, que aceleram o desgaste de discos de fricção e do conversor de binário.
- Variadores (CVT): são os que tendem a sofrer mais, por serem especialmente sensíveis à patinagem.
Variadores (CVT) são os mais vulneráveis: desgaste pode avançar sem sinais imediatos
No caso das transmissões CVT, os especialistas referem que a patinagem afeta rapidamente os componentes internos: a correia e os cones reagem às sobrecargas com desgaste quase imediato. Mesmo que o veículo consiga sair do monte de neve sem aparentes avarias, o “capital” de durabilidade do conjunto pode ficar seriamente reduzido - e a necessidade de reparação torna-se, na prática, uma questão de tempo.
O que fazer quando o carro fica preso: menos força, mais técnica
Os peritos lembram que, em tempo de neve, a estratégia mais eficaz tende a passar por evitar “balanços” agressivos e privilegiar ações controladas, como:
- aplicar o acelerador com suavidade e progressão;
- recorrer a modos de assistência do veículo, quando disponíveis;
- limpar a neve à volta das rodas para criar espaço e tração;
- pedir ajuda quando necessário, em vez de insistir em manobras repetidas.
A mensagem é clara: o inverno não perdoa ações bruscas e o custo de uma reparação na transmissão pode ser substancialmente mais elevado do que muitos condutores antecipam.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário