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Comprei um carro elétrico e contornei o sistema: fabricantes de automóveis arranjaram forma de lucrar com a manutenção.

Homem sentado ao lado de um carro, utilizando um telemóvel, com a bagageira aberta e documentos ao lado.

A ascensão dos elétricos está a virar do avesso o negócio do pós-venda automóvel na Europa

A transição para os veículos elétricos está a provocar uma mudança profunda - e muitas vezes subestimada - na economia do setor automóvel: nos países onde os elétricos já têm uma forte presença, como a Noruega, as redes de oficinas e assistência têm visto as receitas recuar, porque estes veículos exigem menos operações de manutenção do que os automóveis com motor de combustão interna.

Menos manutenção, menos faturação para oficinas e redes de concessionários

Com menos peças sujeitas a desgaste e menos intervenções periódicas, os elétricos reduzem diretamente as oportunidades de negócio no pós-venda, afetando a rentabilidade de concessionários e importadores. Segundo dados citados por empresas europeias, as visitas de proprietários de veículos elétricos geram para os serviços de assistência quase metade do valor que resulta da manutenção de carros equipados com motor de combustão.

Garantias prolongadas como ferramenta para manter clientes na rede oficial

Para contrariar este impacto, os construtores estão a reformular a relação com os clientes e a forma como asseguram receitas após a compra. As marcas asiáticas têm sido das mais ativas, apostando em programas que prolongam a garantia desde que o proprietário cumpra visitas regulares às oficinas autorizadas.

Na Europa, estas estratégias já estão a refletir-se num crescimento significativo das receitas de pós-venda. A promessa de garantias que podem estender-se até 15 anos é usada como argumento de confiança e, ao mesmo tempo, como incentivo para que os clientes continuem a fazer a manutenção dentro da rede oficial.

Marcas chinesas usam garantias amplas para ganhar notoriedade - e europeias procuram recuperar confiança

As fabricantes chinesas que estão a entrar no mercado europeu têm recorrido a garantias mais abrangentes sobretudo como forma de aumentar a notoriedade e reduzir receios dos consumidores perante marcas ainda pouco conhecidas.

Em paralelo, algumas marcas europeias adotam uma abordagem semelhante, procurando compensar problemas de imagem associados a gerações anteriores de motores e a perceção pública resultante desses episódios.

Novas fontes de receita: subscrições digitais, serviços de carregamento e usados elétricos

Com a transformação do setor a acelerar, as empresas estão também a criar novas linhas de negócio pagas para substituir parte das receitas tradicionais do pós-venda. Entre as tendências em crescimento estão:

  • serviços digitais com pagamento recorrente e subscrições;
  • modelos de subscrição para desbloqueio de funcionalidades no veículo;
  • ofertas integradas de carregamento;
  • soluções específicas para manutenção e apoio a veículos elétricos usados.

O objetivo é construir uma nova arquitetura de receitas capaz de sustentar concessionários, importadores e fabricantes num mercado em que a quota de veículos elétricos continua a aumentar.

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