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Como a Noruega eliminou os carros a combustão em 10 anos: há condutores imprudentes em todo o lado.

Mulher a carregar carro elétrico em estação de carregamento num cenário montanhoso nevado.

Noruega quase elimina carros a gasolina nas matrículas de janeiro: apenas sete registados em todo o país

A Noruega deu mais um passo decisivo rumo a um mercado automóvel totalmente elétrico: em janeiro, foram registados apenas sete automóveis a gasolina em todo o território, segundo dados da OFV (organização ligada ao setor automóvel). No mesmo mês, os veículos elétricos (EV) dominaram praticamente por completo as novas matrículas, com uma quota de 94%, enquanto os diesel ficaram reduzidos a 98 registos - um sinal claro de que os motores de combustão interna estão a perder relevância no segmento de carros novos no país.

Mercado em janeiro foi fraco, mas a tendência mantém-se

Embora o mês tenha sido descrito como relativamente fraco no volume total - após um pico de vendas antecipadas antes de alterações fiscais previstas para o final de 2025 - a composição das matrículas revela o essencial: a procura por veículos novos na Noruega já é, na prática, maioritariamente elétrica, com os modelos a gasolina e diesel relegados para números residuais.

Uma década de política pública focada nos elétricos

Este resultado é apresentado como consequência de anos de medidas consistentes para tornar os elétricos mais atrativos e simples de utilizar no dia a dia. Entre os fatores que ajudaram a criar um “ecossistema EV” no país contam-se:

  • incentivos e benefícios fiscais;
  • redução de portagens e taxas rodoviárias;
  • acesso a faixas reservadas (como corredores de autocarros, em determinadas condições);
  • rede de carregamento abrangente;
  • regras estáveis e previsíveis para consumidores e indústria.

A trajetória já vinha a consolidar-se: em 2025, os elétricos alcançaram quase 96% do mercado, afastando os modelos a combustão dos stands de forma quase total.

O mercado de usados também acelera a transição

A mudança não se limita às vendas de veículos novos. De acordo com os mesmos dados, a eletrificação começou igualmente a ganhar expressão no mercado em segunda mão: cerca de 30% dos automóveis usados transacionados já são elétricos, reforçando a disponibilidade e a confiança dos compradores.

Efeito de rede: mais elétricos, mais infraestrutura e menor custo de utilização

Um dos motores desta evolução é o chamado efeito de rede: à medida que o número de EV aumenta, a infraestrutura cresce mais depressa, o custo de posse e manutenção tende a baixar, e o mercado de usados torna-se mais líquido e previsível. Para muitos consumidores, os elétricos deixaram de ser uma “novidade” e passaram a ser a escolha padrão.

Um sinal para o Reino Unido sobre a velocidade da mudança tecnológica

A experiência norueguesa é apontada como uma referência para o Reino Unido, sublinhando que, quando a política pública é consistente, a transformação do mercado pode ocorrer mais rapidamente do que o esperado. O registo de sete carros a gasolina num mês funciona como indicador de que a transição tecnológica pode tornar-se inevitável quando existem condições para que se acelere de forma natural.

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