A Aston Martin anunciou um corte de até 20% do seu quadro de pessoal - cerca de 3 mil colaboradores - em resposta ao agravamento das condições de mercado. O fabricante de desportivos de luxo tem sido penalizado por tarifas de importação mais elevadas nos EUA e pela fraca procura na China, fatores-chave que pressionam as receitas e as margens. A empresa estima que a medida permitirá poupar cerca de 40 milhões de libras por ano, sendo que uma parte significativa dessa poupança deverá refletir-se já em 2026.
Em paralelo, a Aston Martin reviu o seu plano de investimento a cinco anos, reduzindo-o de 2 mil milhões para 1,7 mil milhões de libras. O principal corte resulta do adiamento de investimentos no desenvolvimento de veículos elétricos. A decisão está também ligada ao nível de endividamento da empresa: a dívida atinge 1,38 mil milhões de libras e as perdas operacionais de 2025 ultrapassaram 259 milhões de libras. Apesar do apoio dos acionistas, incluindo o multimilionário Lawrence Stroll, a liquidez continua a ser um problema central.
Ainda assim, o mercado reagiu de forma positiva: as ações da Aston Martin subiram quase 5% após nove dias consecutivos de queda. A empresa antecipa uma “melhoria material” dos resultados financeiros em 2026, contando que o lançamento do supercarro híbrido Valhalla e a entrega de cerca de 500 unidades sejam um dos motores de recuperação das margens e do EBITDA.
Uma fonte adicional de financiamento foi um acordo de 50 milhões de libras relativo à venda de direitos perpétuos de branding associados à sua equipa de Fórmula 1 - mais um passo no sentido de estabilizar as finanças.
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