O bolo de cenoura com coco que sai sempre bem (até nos dias mais corridos)
Este bolo resolve: ingredientes de despensa, miolo fofo e húmido, e costuma aguentar muito bem até ao dia seguinte. Funciona especialmente bem quando respeita duas regras:
- triturar a cenoura com os líquidos até ficar mesmo liso
- depois de entrar a farinha, mexer só até incorporar
A cenoura dá doçura e humidade, o óleo ajuda a manter o miolo macio mesmo frio, e o coco retém líquido (mas em excesso pode secar e pesar).
Ingredientes (medidos para dar certo)
Em Portugal, esta receita tende a resultar muito bem com farinha de trigo T55 sem fermento. Pese a farinha: “à chávena” quase sempre vem a mais e o bolo seca. Ovos à temperatura ambiente ligam melhor (ou 5 minutos em água morna). Lave e descasque bem a cenoura (evita sabor “terroso”).
Para o bolo (forma redonda 22–24 cm ou forma de bolo inglês):
- 3 ovos (tamanho M)
- 250 g de cenoura descascada (peso já limpo)
- 150 g de açúcar (branco ou amarelo)
- 120 ml de óleo vegetal neutro (girassol, milho; evite azeite muito marcado)
- 180 g de farinha de trigo sem fermento
- 10 g de fermento em pó (≈ 1 colher de sopa rasa)
- 80 g de coco ralado (de preferência sem açúcar)
- 1 pitada de sal
- Opcional: raspa de 1 laranja ou 1 colher de chá de canela
Para finalizar (opcional, mas recomendado):
- coco ralado extra para polvilhar
- ou cobertura rápida: 100 g de chocolate + 80 ml de natas (ganache simples)
Nota prática: fermento antigo perde força. Se tiver dúvidas, teste numa chávena: um pouco de fermento + água quente deve espumar rapidamente.
Método simples, em passos curtos
Depois de entrar a farinha, quanto menos mexer, mais leve fica. Ajuste ao seu forno: se doura cedo, baixe ~10 ºC e prolongue um pouco. (Formas escuras e de metal fino costumam “torrar” mais depressa.)
Passo a passo
- Forno e forma: pré-aqueça a 170 ºC (ventilado) ou 180 ºC (convencional), grelha a meio. Papel vegetal no fundo + película fina de gordura nas laterais. Encha só até 2/3.
- Triturar a cenoura: corte em rodelas finas. Bata cenoura + ovos + óleo + açúcar até ficar um creme liso (grumos grandes dão cozedura irregular e “buracos” húmidos).
- Juntar os secos: verta para uma taça. Junte farinha, fermento, sal e (se usar) canela/raspa. Misture com vara de arames ou espátula só até a farinha desaparecer (não “bata”).
- Envolver o coco: adicione o coco e envolva. A massa engrossa - é normal. Se o coco estiver muito seco e a massa ficar pesada, junte 1–2 colheres de sopa de leite ou sumo de laranja.
- Forno: deite na forma, alise e leve a cozer: 35–45 min (redonda) ou 45–55 min (bolo inglês).
- Ponto certo: teste no centro e ligeiramente ao lado. O palito deve sair com migalhas húmidas, não com massa crua. Com termómetro, o centro costuma estar pronto perto de 96–98 ºC.
- Arrefecer: espere 10–15 min, desenforme e deixe arrefecer numa grelha. Cortar quente tende a “apertar” o miolo (e parece mais seco).
Notas rápidas: evite abrir o forno nos primeiros 25–30 min. Se o topo ganhar cor cedo, cubra com alumínio nos minutos finais.
Porque é que fica tão húmido (e o que costuma correr mal)
A receita é tolerante, mas pequenos detalhes mudam muito a textura - sobretudo trituração, mistura e tempo de forno. O objetivo é cozer “até ao ponto”, não até ficar seco.
O que faz o miolo ficar macio
- Cenoura bem batida: distribui a humidade e evita zonas que cozem a ritmos diferentes.
- Óleo em vez de manteiga: mantém-se macio depois de frio (a manteiga solidifica e pode parecer mais seca).
- Coco na medida certa: retém líquido; em excesso, “rouba” humidade e pesa o miolo.
Erros comuns (e como evitar)
- Cenoura mal triturada: textura irregular. Bata até ficar quase creme.
- Mexer demasiado depois da farinha: desenvolve glúten e endurece. Pare quando estiver homogéneo.
- Forno demasiado quente: fora dourado, dentro cru. Baixe ~10 ºC e dê mais tempo.
- Cozer em excesso: o erro nº 1 para perder humidade. Tire quando ainda há migalhas húmidas no palito.
- Ganache/natas e conservação: bolo coberto deve ir ao frigorífico; para servir, retire 20–30 min antes. Em dias quentes (cozinha >25 ºC), evite deixar ganache à temperatura ambiente por muitas horas.
Pequenas variações que não estragam a receita
Dá para ajustar aroma e textura sem mexer na base. Regra simples: não aumente demasiado os secos (coco, farinhas, frutos secos), porque absorvem humidade.
| Variação | O que muda | Como fazer |
|---|---|---|
| Laranja + coco | Aroma mais fresco | Raspa de 1 laranja (só a parte laranja) |
| Noz ou amêndoa | Mais textura | 60–80 g picados, envolver no fim |
| Menos açúcar | Menos doce, mantém húmido | Reduza para 120–130 g |
Para um resultado mais “sobremesa”, ganache + coco funciona muito bem. Para simplificar, coco por cima com o bolo ainda morno chega.
Como guardar (e como manter a humidade)
Muitas vezes fica melhor no dia seguinte: a humidade redistribui-se e o miolo assenta.
- Temperatura ambiente (sem coberturas lácteas): 2–3 dias, em caixa bem fechada e longe do sol/calor.
- Frigorífico: até 5 dias (ideal com ganache/natas). Retire 20–30 min antes de servir.
- Congelar: em fatias bem embrulhadas, até 2 meses. Descongele à temperatura ambiente (ou micro-ondas em impulsos curtos).
Se o topo secar um pouco, aqueça ligeiramente a fatia e sirva com iogurte natural ou uma camada fina de doce de laranja.
FAQ:
- Posso fazer sem liquidificador? Pode. Rale a cenoura muito fina, bata bem ovos + açúcar e conte com um miolo mais rústico.
- Dá para usar coco adoçado? Dá, mas reduza o açúcar em 20–30 g.
- Como sei que não ficou cru no meio? Palito com migalhas húmidas. Se sair com massa, dê mais 5–10 min e cubra com alumínio se estiver a escurecer.
- Posso trocar o óleo por manteiga? Pode, mas tende a secar mais ao arrefecer. Use 120 g de manteiga derretida e evite cozer em demasia.
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