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Um aliado discreto pode mudar a guerra: Kiev recebe aviões potentes para caçar drones.

Técnico inspecciona caça no aeroporto com laptop.

Durante uma visita a Kyiv, o Presidente checo Petr Pavel confirmou que a Ucrânia irá receber aeronaves de combate L‑159 ALCA e radares passivos avançados, um pacote concebido não para exibições aéreas ou prestígio, mas para a guerra árdua, noite após noite, contra drones russos.

Um jacto subsónico feito para a era dos drones

O L‑159 ALCA dificilmente é um nome conhecido do grande público. É subsónico, relativamente pequeno (cerca de 12 metros de comprimento) e nunca foi pensado para enfrentar de frente caças pesados russos. Ainda assim, é precisamente por isso que os planeadores ucranianos estão entusiasmados com ele.

Construído pelo fabricante checo Aero Vodochody, o L‑159 começou a vida como avião de treino e de ataque ligeiro. A sua força está na simplicidade e versatilidade, mais do que na velocidade bruta. O jacto transporta um radar moderno Grifo‑F e pode empregar uma vasta gama de armamento ocidental.

O L‑159 oferece uma plataforma barata, ágil e fortemente armada, optimizada para caçar alvos aéreos lentos ou de velocidade média, como drones e helicópteros.

Segundo responsáveis checos da defesa, o L‑159 pode ser armado com:

  • Canhões em casulos (pods) de 20 mm para combates a curta distância
  • Mísseis ar‑ar AIM‑9 Sidewinder
  • Mísseis anti‑radiação AGM‑88 HARM para atacar radares inimigos
  • Bombas guiadas a laser GBU‑12 e GBU‑16 para ataques de precisão ao solo

Para a Ucrânia, que já experimentou usar aeronaves civis modificadas como Yak‑52 e Zlin Z‑137 para perseguir drones, o L‑159 representa um grande salto. Em vez de aviões a hélice ligeiros, com equipamento improvisado, as tripulações irão operar um jacto concebido para suportar danos de combate, integrar sensores modernos e disparar munições padrão da NATO.

Porque é que o subsónico vence o supersónico contra drones

No papel, colocar caças a combater drones baratos é uma má troca. Cada míssil disparado por um caça moderno de superioridade aérea pode custar centenas de milhares de libras, enquanto o drone pode valer apenas uma fracção disso. Ainda assim, a Ucrânia não tem o luxo de ignorar drones carregados de explosivos que entram no seu espaço aéreo.

É aqui que o L‑159 encaixa. Os seus custos de operação são significativamente mais baixos do que os de caças pesados. Consome menos combustível, precisa de equipas de apoio mais pequenas e é mais fácil de manter operacional a partir de aeródromos pequenos e dispersos.

Um jacto subsónico que está sempre disponível pode ser mais útil na defesa contra drones do que um punhado de caças avançados usados com parcimónia para poupar células e mísseis.

O radar e os sensores infravermelhos da aeronave podem detectar drones a baixa altitude contra terreno “poluído” (clutter), enquanto o míssil Sidewinder dá aos pilotos uma forma fiável de atingir alvos que executam manobras evasivas. Contra drones “kamikaze” mais antigos e lentos, o fogo de canhão torna‑se uma opção realista e mais barata.

O desafio do Geran‑5: rápido, distante e difícil de detectar

A necessidade urgente da Ucrânia resulta de uma nova geração de drones russos, em particular o Geran‑5. Serviços de informações ocidentais vêem esta plataforma como um derivado fortemente modificado do drone iraniano Karrar, mas com desempenho que o aproxima de um pequeno jacto não tripulado.

Características principais do Geran‑5, com base em avaliações de fonte aberta, incluem:

Característica Valor aproximado
Velocidade máxima Até 800 km/h
Alcance Cerca de 1.000 km
Motor Turbojacto de fabrico chinês
Tipo de missão Ataque de sentido único (“kamikaze”)

A essas velocidades, o drone passa muito menos tempo dentro do envelope das defesas antiaéreas baseadas em terra. A sua pequena secção eficaz de radar e a baixa altitude tornam difícil a detecção precoce. Esta combinação desgasta tanto os stocks de mísseis ucranianos como os operadores de radar.

Disparar um míssil Patriot ou SAMP/T contra cada drone que entra é insustentável. Estes sistemas estratégicos foram concebidos para abater aeronaves avançadas ou mísseis balísticos, não enxames de bombas voadoras cujo custo é uma ínfima fracção do interceptador.

Ao atribuir jactos L‑159 à caça de drones, a Ucrânia pode preservar os seus limitados mísseis estratégicos superfície‑ar para alvos russos mais raros e de maior valor.

Radares passivos PLESS: ouvir o céu sem ser ouvido

As aeronaves são apenas metade da oferta checa. Praga também está preparada para transferir radares passivos PLESS, construídos pela empresa checa ERA. Estes não são os pratos rotativos convencionais que “varrem” o céu com ondas de rádio.

Em vez disso, os radares passivos “ouvem” emissões já existentes. Acompanham reflexos e perturbações em sinais provenientes de torres de televisão, redes móveis, radares civis ou outras fontes electromagnéticas.

Segundo informação pública, o PLESS pode detectar alvos aéreos, incluindo drones, a distâncias até 700 km em condições favoráveis. Como não emite o seu próprio impulso de radar, o sistema é extremamente difícil de localizar e atacar.

Um radar passivo como o PLESS pode vigiar o espaço aéreo através de fronteiras, mantendo‑se quase invisível à guerra electrónica russa e a armas anti‑radar.

Para a Ucrânia, isso significa alerta mais cedo sobre lançamentos de drones a partir de território russo ou bielorrusso, e mais tempo para fazer descolar jactos L‑159 numa rota de intercepção.

Uma combinação poderosa: detecção precoce e caças ágeis

A potencial combinação do PLESS com jactos L‑159 dá a Kyiv algo que muitas vezes lhe faltou desde 2022: tempo de reacção. Se um radar passivo detectar uma formação de drones a centenas de quilómetros, os postos de comando podem calcular rotas prováveis e atribuir aeronaves a patrulhar esses corredores.

Isto reduz a necessidade de patrulhas aéreas aleatórias, que consomem combustível e fatigam as tripulações. Em vez disso, a Ucrânia pode concentrar meios aéreos quando e onde é mais provável interceptar.

Para a Rússia, o cenário torna‑se menos confortável. Locais de lançamento de drones que antes eram considerados relativamente seguros, bem atrás da linha da frente, podem agora ficar dentro de um envelope de intercepção mais previsível.

Um passo arrojado de Praga sob pressão política

A decisão de enviar aeronaves de combate não é apenas técnica. O Presidente checo Petr Pavel, antigo presidente do Comité Militar da NATO, há muito defende um apoio robusto à Ucrânia. A sua posição é desconfortável para o Primeiro‑Ministro Andrej Babiš, um líder populista cauteloso quanto a um envolvimento mais profundo.

Os debates em Praga têm incidido em duas questões: até onde a República Checa deve ir sem financiamento nacional dedicado para nova ajuda e se a cedência de jactos de combate poderá enfraquecer as suas próprias defesas. O compromisso passa por recorrer a stock existente.

Cerca de vinte L‑159 permanecem ao serviço checo, oferecendo um conjunto limitado, mas politicamente gerível, de aeronaves que poderiam ser transferidas ou rodadas.

A estratégia de Pavel parece ser manter uma contribuição checa significativa, evitando ao mesmo tempo grandes novos pacotes de despesa que inflamariam críticos internos. Ao entregar aeronaves e radares já existentes em inventário, Praga sinaliza compromisso sem esperar por longas votações orçamentais.

O que isto significa para a defesa aérea ucraniana no seu conjunto

Os sistemas L‑159 e PLESS não vão selar magicamente os céus ucranianos. A Rússia emprega uma mistura de variantes Shahed baratas, drones mais avançados, mísseis de cruzeiro e mísseis balísticos. Cada ameaça exige ferramentas diferentes.

O pacote checo colmata uma lacuna muito específica: intercepção custo‑eficaz de drones de velocidade média, em particular as variantes mais recentes com propulsão a jacto. Quando combinado com meios já existentes, a Ucrânia pode criar uma defesa em camadas:

  • Radares passivos e radares tradicionais de alerta precoce para detecção a grande distância
  • Jactos L‑159 e outras aeronaves para intercepção móvel de drones e helicópteros
  • Patriot, SAMP/T e sistemas de era soviética para mísseis e aeronaves de alta prioridade
  • Armas de curto alcance e MANPADS para a linha final de defesa à volta de cidades e infra‑estruturas

Esta estratificação reduz a pressão sobre qualquer sistema isolado. Uma noite de ataques intensos com drones deixa de ser um desfasamento financeiro do tipo “Patriot vs Shahed” e passa a ser uma missão coordenada de defesa aérea, em que cada ferramenta cumpre uma função específica.

Riscos, limites e como a Rússia poderá reagir

Há riscos. Os jactos L‑159 precisarão de bases adequadas na Ucrânia, que serão alvos evidentes para mísseis russos. Dispersar aeronaves por múltiplos aeródromos e usar abrigos endurecidos pode reduzir esse risco, mas não eliminá‑lo.

A formação é outro factor. Embora o L‑159 seja mais simples de pilotar do que muitos caças de primeira linha, pilotos e equipas de manutenção ucranianos necessitarão de meses de conversão e treino táctico. Até essas equipas estarem plenamente prontas, apenas um pequeno número de aeronaves operará a um ritmo elevado.

As forças russas também deverão adaptar‑se. Quando patrulhas de L‑159 começarem a abater drones, Moscovo poderá alterar rotas, aumentar o uso de drones‑isco (decoys) ou saturar sectores específicos com grandes salvas para sobrecarregar interceptadores. A guerra de drones é um ciclo constante de medida e contramedida.

Termos‑chave e como moldam o campo de batalha

Duas noções técnicas ajudam a explicar porque este movimento checo é importante: “radar passivo” e “míssil anti‑radiação”.

Um radar passivo como o PLESS baseia‑se em sinais já presentes no ar. Isso torna‑o difícil de localizar e de bloquear (jam), mas também mais dependente da densidade e força de transmissores civis. Em regiões urbanas ou industriais, o desempenho pode ser impressionante; em zonas rurais remotas, a detecção pode ser mais difícil.

Um míssil anti‑radiação como o AGM‑88 HARM guia‑se pelas emissões dos radares inimigos. Combinar L‑159 com HARMs dá à Ucrânia uma ferramenta potencial para assediar radares de defesa aérea russos mais perto da linha da frente. Se uma bateria inimiga ligar o radar para seguir aeronaves ucranianas, arrisca‑se a ser visada. Se permanecer em silêncio, a sua protecção enfraquece.

Analistas consideram que a Ucrânia poderá usar esta “ameaça HARM” não só para destruir radares, mas também para forçar comandantes russos a escolhas difíceis: proteger áreas‑chave e arriscar perdas, ou desligar e permitir um caminho mais livre para drones ucranianos ou mísseis de cruzeiro.

Cenários futuros: da caça a drones ao apoio na linha da frente

Quando as tripulações ucranianas dominarem o L‑159, a aeronave poderá assumir funções para além da intercepção de drones. Com bombas de precisão e sensores modernos, o mesmo jacto pode atacar posições de artilharia, centros logísticos ou pequenas formações blindadas perto da frente, especialmente à noite.

Um cenário plausível: um radar PLESS detecta helicópteros russos a concentrar‑se para um ataque a baixa altitude. L‑159 já no ar em patrulhas anti‑drone são redireccionados, usando Sidewinders e canhões para ameaçar esses helicópteros, mantendo‑se fora das zonas de defesa aérea russa mais densas.

Noutro cenário, unidades terrestres ucranianas pedem apoio aéreo contra um avanço russo súbito. L‑159, transportando bombas guiadas a laser, são vectorizados para coordenadas fornecidas por observadores na linha da frente. Ao distribuir essas tarefas por vários jactos ligeiros, em vez de poucos caças pesados, a Ucrânia ganha flexibilidade e reduz o impacto de perder qualquer aeronave individual.

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