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Carta de condução cor-de-rosa: em breve deixará de ser aceite, veja até quando pode trocá-la.

Duas mãos seguram cartões de condução sobre uma mesa, com um calendário de 2033 ao fundo.

A conhecida carta rosa de papel, que durante décadas viveu nas carteiras francesas, aproxima-se discretamente do seu último capítulo.

Os condutores franceses que ainda possuem a antiga carta cor-de-rosa em cartão serão, dentro de alguns anos, obrigados a trocar por um documento mais recente, em formato de cartão bancário. A mudança já era esperada há muito tempo, mas a existência de uma data-limite definitiva significa agora que milhões de automobilistas terão, inevitavelmente, de agir.

De ícone francês a documento desatualizado

Durante gerações, a carta cor-de-rosa de papel foi um símbolo de liberdade ao volante em França. Introduzida em 1922, continuou a ser emitida até 2013. Desde então, foi ficando progressivamente aquém das normas internacionais de segurança aplicáveis a documentos de identidade e de condução.

O próprio formato cria problemas. O cartão é frágil, rasga-se facilmente e degrada-se muito com anos de dobras em carteiras ou de estar guardado no porta-luvas. Muitos automobilistas já circulam com documentos quase ilegíveis ou remendados com fita-cola.

Também há dificuldades no estrangeiro. Algumas empresas de aluguer de automóveis e certas autoridades fora de França hesitam, hoje, em aceitar a antiga carta em papel. Em determinados países, o condutor pode ser obrigado a apresentar também uma licença internacional de condução, porque o antigo documento francês já não corresponde às expectativas modernas de segurança e verificabilidade.

A carta cor-de-rosa de papel perderá a validade legal a 19 de janeiro de 2033, após mais de um século de utilização.

A data oficial de caducidade: 2033

Estritamente falando, a carta cor-de-rosa nunca teve uma data de validade impressa. Isso muda agora por via legal, e não por tinta. A partir de 19 de janeiro de 2033, o documento no formato antigo deixará de ser válido para conduzir em França.

Os condutores que ignorarem o prazo ficam sujeitos a coimas. O primeiro nível é relativamente baixo: uma penalização de 11 €, que pode subir para 38 € se não for paga atempadamente. A situação torna-se mais grave se o condutor não conseguir apresentar uma carta válida no novo formato de cartão. Nesse caso, a coima pode chegar aos 135 €, e o veículo pode ser imobilizado no local.

Com quase uma década ainda pela frente, o Governo francês não está a incentivar uma corrida imediata aos serviços. O calendário foi pensado para permitir que os titulares da carta antiga façam a troca de forma gradual, sem sobrecarregar os serviços administrativos num único ano.

Porque é que a nova carta parece um cartão bancário

Desde 2013, as novas cartas de condução francesas são emitidas em plástico, no formato de cartão de crédito. O tamanho é idêntico ao de um cartão bancário, o que permite guardá-la facilmente numa carteira ou porta-cartões.

A melhoria do design não é apenas estética. A carta moderna utiliza técnicas e materiais de impressão segura que tornam a falsificação muito mais difícil. Resiste melhor à água, ao desgaste e ao manuseamento repetido. A fotografia e os dados pessoais mantêm-se legíveis durante mais tempo, e as funcionalidades de leitura automática apoiam as verificações por parte da polícia e de autoridades estrangeiras.

A vertente digital também evoluiu. A carta no novo formato permite ao condutor consultar muito mais facilmente online o saldo atual de pontos. Enquanto a versão cor-de-rosa exige um processo de registo relativamente pouco prático para aceder ao portal oficial, o sistema moderno foi concebido com a utilização online em mente.

A nova carta de plástico é válida por 15 anos e pode ser guardada digitalmente num smartphone através da aplicação France Identité.

Principais diferenças entre a carta cor-de-rosa e a nova carta

Característica Carta cor-de-rosa em papel Nova carta em formato de cartão
Validade Ilimitada (sem data impressa) 15 anos, com renovação obrigatória
Material Cartão / papel Plástico, tamanho de cartão bancário
Segurança Fácil de danificar e falsificar Mais resistente, mais difícil de falsificar
Aceitação internacional Menos frequentemente reconhecida, sobretudo por alugueres Alinhada com as normas europeias atuais
Utilização digital Acesso online aos pontos mais complexo Consulta de pontos mais simples e armazenamento no smartphone

Os condutores têm de mudar já?

Para já, os titulares da carta cor-de-rosa não são obrigados a trocá-la, exceto se ocorrerem circunstâncias específicas. Há três situações principais que desencadeiam a obrigação de pedir a nova carta:

  • Perda da carta cor-de-rosa
  • Roubo do documento
  • Deterioração grave, como rasgões ou dados ilegíveis

Se a carta estiver rasgada ou muito danificada, pode já ser recusada numa fiscalização na estrada. Nesses casos, substituí-la não é apenas recomendável: torna-se uma forma de evitar discussões com as autoridades.

Quando a troca se deve a perda, roubo ou degradação, o pedido deve ser feito online através da plataforma ANTS (Agence nationale des titres sécurisés). A taxa é atualmente de 25 €. Para condutores cuja carta cor-de-rosa esteja intacta e que optem por trocar voluntariamente, as autoridades indicam que o novo documento em plástico é gratuito.

Antes de 2033, a troca de uma carta cor-de-rosa intacta pela nova é gratuita para os titulares da versão histórica em cartão.

Porque é que a validade fica limitada a 15 anos

Um aspeto frequentemente criticado por condutores mais antigos é o período de validade de 15 anos da nova carta. Muitos habituaram-se à ideia de que a carta, uma vez obtida, dura a vida toda, salvo se for retirada por decisão judicial.

A alteração não significa que os condutores terão de repetir o exame de condução de 15 em 15 anos. A renovação diz sobretudo respeito ao próprio documento: manter a fotografia atualizada, atualizar informações pessoais e renovar elementos de segurança para que o cartão continue difícil de falsificar.

Do ponto de vista prático, a atualização regular também acompanha as mudanças de aparência. Agentes da polícia e de fronteira recorrem frequentemente à fotografia da carta para confirmar a identidade. Uma imagem tirada nos anos 1980 muitas vezes pouco se assemelha ao condutor décadas mais tarde.

O que um condutor francês pode esperar até 2033

Imagine um condutor de 55 anos em 2026 que ainda tem a carta cor-de-rosa original emitida no início da década de 1990. Pode continuar a usá-la sem problemas em França durante mais alguns anos. Balcões de aluguer no estrangeiro podem já questioná-la, mas na maioria das situações continuará a ser aceite.

No início da década de 2030, esse mesmo condutor receberá lembretes mais frequentes na comunicação social e, possivelmente, de seguradoras ou associações automóveis sobre o prazo que se aproxima. Se esperar até ao final de 2032, ainda poderá pedir a troca gratuita. Quando o cartão de plástico chegar, terá uma validade de 15 anos, levando-o confortavelmente até à idade da reforma antes de ser necessária nova renovação.

Dicas práticas para viajantes do Reino Unido e dos EUA em França

Para turistas britânicos ou americanos, a mudança afeta sobretudo a forma como as autoridades francesas veem documentos franceses, e não as cartas que os visitantes transportam. Os visitantes podem continuar a conduzir em França com as suas cartas nacionais, desde que cumpram as regras francesas quanto a categorias e tipos de veículos.

O tema torna-se relevante ao alugar um carro numa sucursal francesa no estrangeiro, ao conduzir um veículo matriculado em França, ou em contextos familiares franco-estrangeiros. Um parceiro britânico a viver em França e a conduzir com carta francesa quase certamente já terá o novo cartão, enquanto familiares franceses mais velhos podem ainda agarrar-se à versão cor-de-rosa em papel.

Viajantes internacionais devem ter em conta que um amigo francês que empreste o carro pode ter problemas se ainda depender de uma carta cor-de-rosa muito danificada. Nesse caso, o risco não é apenas uma coima para o titular, mas também potenciais complicações para qualquer pessoa indicada como condutora na apólice de seguro.

O que “pontos” e “imobilização” significam na prática

Leitores não franceses ouvem muitas vezes falar do sistema francês baseado em pontos sem saberem exatamente como ele se relaciona com a carta. Cada carta francesa começa com um determinado número de pontos. Infrações rodoviárias, como excesso de velocidade ou usar o telemóvel ao volante, levam à dedução desses pontos.

Quando o saldo chega a zero, o condutor perde temporariamente o direito de conduzir. A passagem do papel cor-de-rosa para o plástico não altera esse mecanismo, mas o novo formato facilita a consulta do saldo online e ajuda a evitar surpresas desagradáveis após várias infrações menores.

A ameaça de “imobilização” também pode soar mais dramática do que é. Na prática, significa que a polícia pode impedir o condutor de prosseguir viagem naquele veículo se não conseguir apresentar uma carta válida. O carro pode ser rebocado ou ficar estacionado até a situação ser resolvida, o que pode transformar rapidamente uma fiscalização simples num episódio caro e demorado.

Um adeus lento a uma relíquia da condução francesa

Para muitos automobilistas, a carta cor-de-rosa traz memórias: o primeiro exame, o primeiro carro, a primeira grande viagem de férias. A passagem para um cartão normalizado, alinhado com outros documentos europeus, pode parecer mais anónima, mas responde a necessidades reais de segurança, administração e circulação transfronteiriça.

Nos próximos anos, carteiras por toda a França irão, gradualmente, trocar o cartão desbotado pelo plástico. A carta cor-de-rosa não desaparecerá de um dia para o outro, mas a data está agora fixada. Quem ainda estiver apegado ao documento vintage tem até janeiro de 2033 para o manter em serviço, antes de ele se tornar, finalmente, uma peça de coleção - e não um passe válido para a estrada aberta.

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